A Coluna da Sabedoria
5

A Descoberta da Escrita

Avicena

A Notícia

A Lei dos Contrários

As Perguntas do Príncipe

A Coluna da Sabedoria

São Paulo,16 de dezembro de 2012
As Perguntas do Príncipe

Conta-se que numa cidade da Arábia vivia um rei que, por alguns dias, hospedou em seu palácio um príncipe estrangeiro que tencionava casar-se com a princesa sua filha.
O rei, querendo conhecer as qualidades do jovem, levou-o juntamente com a princesa para visitarem a cidade.
Imediatamente, quando passavam pelo mercado central, quase foram atropelados por uma carroça de trigo, dirigida por alguns camponeses embriagados que causavam grande alvoroço. Enquanto se entreolhavam atordoados, o príncipe perguntou:
– Por Allah! Será que esses lavradores já comeram o trigo que estão levando na carroça?
Diante do absurdo da pergunta, o rei preferiu nada comentar. Mais adiante, uma multidão acompanhava um funeral, e quando o caixão passou diante deles, o príncipe perguntou novamente:
– Puxa vida... Será que o homem que levam aí nesse caixão está morto?

Mais uma vez, o rei, com indisfarçável estranheza, não deu ouvidos.
À noite, quando retornavam, puderam ver o palácio totalmente iluminado, em todo o seu esplendor. Mas para admiração geral, o príncipe indagou:
– Vejam só! Será que o palácio de Vossa Majestade está iluminado? Diante disso tudo, o rei chamou a princesa de lado e aconselhou-a a não se casar com o príncipe, devido à sua inequívoca loucura; mas a princesa discordou, dizendo:
– Acho que meu pai não compreendeu bem as perguntas do príncipe.
– Mas como? Eu as ouvi muito bem.
– Sim, mas vede por este lado: talvez, quando ele perguntou se os lavradores já haviam comido o trigo que levavam na carroça, ele quisesse dizer se eles, por ventura, não teriam gasto de antemão todo o dinheiro que iriam receber com a venda do trigo, na farra e na bebida.
– Bem, pode ser... mas não ouviste quando ele perguntou se o homem no caixão estava morto?
– Talvez, continuou a princesa, ele se referisse ao fato de que só aqueles que nenhum bem fizeram é que realmente podem ser considerados mortos ou esquecidos.
– Mas não há como justificar que ele nos perguntasse, diante do palácio todo iluminado, se havia luz.
– Quem sabe, meu pai, ele não se referisse à luminosidade exterior, mas sim à luz que nos ilumina interiormente.
Mesmo assim, diante de tais argumentos, o rei prudentemente ponderou: – As tuas palavras, minha filha, recordaram-me que, para entendermos certas coisas, devemos ver com outros olhos e ouvir com outros ouvidos, por isso, acho que deves tomar a decisão que te parecer mais sensata. Entretanto, ainda não posso afirmar com certeza se havia sabedoria realmente na boca do príncipe, que fez as perguntas, ou se a sabedoria está nos teus ouvidos, minha princesa, que escutou as respostas. E isso só o tempo irá mostrar, encerrou o rei.

 _______________
Será que o palácio de Vossa
Majestade está iluminado?
_______________